20 de Novembro, 2025 13h11mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

COP30 se aproxima do fim com debates sobre transição energética

Logo na abertura da COP30, o presidente Lula deu o tom a ser seguido nas negociações das duas semanas seguintes. "A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente." A Conferência do Clima de Belém termina oficialmente na sexta-feira, dia 21 de novembro

Logo na abertura da COP30, o presidente Lula deu o tom a ser seguido nas negociações das duas semanas seguintes.

"A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente."

A Conferência do Clima de Belém termina oficialmente na sexta-feira, dia 21 de novembro. Mas, a depender do andamento das negociações, pode se estender por mais alguns dias, já que as declarações e acordos são fechados na base do consenso, ou seja, todos os 198 países partes da convenção do clima precisam concordar com o que for apresentado.

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Nessa última semana, a correria para fechar o que já está sendo chamado de Pacote de Belém incluiu uma mudança de metodologia, com uma força-tarefa entre os negociadores dos países participantes.

O pacote inclui itens como o Objetivo Global de Adaptação, transição justa, financiamento climático, e orientações ao Fundo para Respostas a Perdas e Danos.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, explicou alguns pontos importantes já alcançados, como o Fundo Floresta Tropical para Sempre. Segundo ela, um mecanismo inovador para manter as florestas que ainda existem.

17.11.2025 - Belém - Marina Silva, Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, participa do lançamento "Desafio da Bioeconomia: traduzindo os Princípios de Alto Nível do G20 em ação sistêmica por meio de um roteiro para uma bioeconomia global​” durante 30ª Conferência das Partes (COP30). Foto de Aline Massuca/COP30 17.11.2025 - Belem - Brazil's Minister of the Environment and Climate Change Marina Silva, attends the “Bioeconomy Challenge: catalysing systemic action through the Bioeconomy High Level Principles” during the 30th Conference of the Parties (COP30). Photo by Aline Massuca/COP30 - Aline Massuca/COP30

Outros dois acordos foram fechados para deter a degradação florestal. Marina defende que a COP30 precisa apresentar soluções ou, pelo menos, avanços para o financiamento e ações necessárias para se evitar o colapso climático, conforme as metas globais estabelecidas na COP29, em Baku. É o chamado Mapa do Caminho.

"A decisão que foi tomada em Dubai, ela surpreendeu o mundo. Foi aprovado: não pode ultrapassar o 1.5. Foi aprovado o fundo de perdas e danos, triplicar renovável, duplicar eficiência energética, fazer a transição para longe de combustível fóssil. E quando se fala no Mapa do Caminho, é: nós decidimos tudo isso. Mas quais são os indicadores de esforços? A gente precisa criar novas métricas para pensar redução das emissões de CO2.”

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, explicou também que a transição energética é uma ação contínua. E que já começou.

'A partir do momento que você tem uma China em que 50% dos automóveis hoje vendidos são elétricos, na Noruega 99% dos carros vendidos são elétricos. Todo o petróleo que é necessário para gasolina e para diesel, essa demanda vai diminuir e essa demanda representa mais de 50% do consumo de petróleo no mundo."

Pelo menos 80 países já aderiram ao compromisso informal de abandono gradual dos combustíveis fósseis proposto pelo Brasil. Outros 35 países e organizações internacionais assinaram a Declaração de Belém para a Industrialização Verde, para garantir um modelo de crescimento sustentável.

Povos originários e tradicionais

Pela primeira vez os povos originários e tradicionais tiveram espaço de fala oficial em uma COP. O recado foi alto e claro: a resposta somos nós! Como na fala do cacique Raoni Metuktire, no encerramento da Cúpula dos Povos:

Belém (PA), 16/11/2025 - Cacique Raoni Metuktire durante encerramento da cúpula dos povos Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Estou acompanhando que o governo quer explorar petróleo aqui na Foz do Amazonas. Se continuarem fazendo essas coisas ruins, nós vamos ter problemas ambientais. Nós, povos indígenas, e todos vocês. Nós estamos tendo muito calor, rio secando, esse rio em que estamos pode secar também. Ouçam o que eu digo: precisamos ter consciência e cuidar da nossa terra.”

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Quanto ao petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, a chamada margem equatorial, por enquanto, o Ibama autorizou os estudos para verificar se realmente existe potencial exploratório. Ainda não há previsão para produção de óleo e gás em escala comercial.

A ministra Marina já declarou que é natural que ocorram contradições nesse tema, mas lembrou que o Brasil ainda precisa do petróleo para viabilizar a transição energética.

“Nós já temos uma matriz energética limpa, em 45% dessa matriz energética, 90% da matriz elétrica. Temos fontes renováveis, do sol, do vento, da água, da biomassa. Podemos produzir hidrogênio verde. Temos soluções baseadas na natureza com os biocombustíveis, 30% na gasolina, 15% no diesel. Mas isso ainda não é suficiente. É preciso fazer o nosso próprio Mapa do Caminho para sair da dependência do uso de combustível fóssil.”

A Petrobras informou que a perfuração deve durar cinco meses. O poço será em águas profundas do Amapá, a 175 km da costa e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, e será usado para obter mais informações geológicas sobre a região.

O rascunho da Declaração Final da COP30 dedica atenção especial aos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O texto deve destacar as contribuições essenciais para manter florestas em pé, proteger a biodiversidade e fortalecer a resiliência climática.

Vamos encerrar está série com um alerta da ministra Marina, citando os cientistas do IPCC.

“Quando você tem uma guerra e você verifica que pessoas inocentes estão sendo destruídas, como acontece na Faixa de Gaza, na Ucrânia, e em alguns países da África, a gente objetivamente tem uma responsabilização a ser endereçada. Quando é a mudança do clima, parece que ninguém se sente responsável, mas estamos perdendo 500 mil vidas só por onda de calor, crianças e idosos. Se alguém chegar e joga uma bomba em cima de crianças e idosos, é terrível. Agora, nanobombas em relação à mudança do clima estão sendo jogadas o tempo todo e as pessoas estão perdendo suas vidas.”

Obrigada a você que tem interesse na agenda climática e nos acompanhou até aqui. Confira outros conteúdos especiais da Radioagência Nacional no site e nos tocadores de áudio, como o podcast Trilhas Amazônicas e a versão para os pequenos Trilhinhas Amazônicas, dentro do selo Crianças Sabidas.

*Com locução de Guilherme Strozi e sonoplastia de Jailton Sodré.

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