23 de Março, 2026 12h03mInternacional por Agência Brasil

Otan não confirma ataque do Irã à base do Reino Unido e EUA no Índico

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse que não pode confirmar que a base militar de Diego Garcia, compartilhada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, tenha sido atingida por mísseis balísticos

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse que não pode confirmar que a base militar de Diego Garcia, compartilhada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, tenha sido atingida por mísseis balísticos intercontinentais do Irã no sábado (21).

“Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”, disse o chefe da aliança militar em entrevista exclusiva à emissora CBS News, neste domingo (22). O chefe da Otan é um entusiasta da agressão dos EUA e Israel contra o Irã.

“Se esse foi o caso da base no Reino Unido, em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito perto de tê-la”, completou Rutte.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

O Irã nega o ataque à base militar conjunta EUA-Reino Unido que fica a mais de 3 mil quilômetros do território do país persa. 

Teerã sempre informou que seus mísseis teriam alcance de, no máximo, 2 mil quilômetros de distância.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirma que a acusação de que o Irã atacou a ilha de Diego Garcia é uma “falsa bandeira” para acusar Teerã. 

Se confirmada autoria do Irã, o ataque poderia arrastar Londres e a Otan para a guerra.  

“O fato de até mesmo o secretário-geral da Otan [que notoriamente pressiona os membros da aliança a apaziguar os EUA e apoiar sua guerra ilegal contra Irã] se recusar a endossar a mais recente desinformação de Israel diz muito: o mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”, disse o porta-voz de Teerã.

Fontes militares dos EUA não identificadas informaram a agências internacionais de notícias que o Irã teria lançado mísseis contra essa base conjunta no meio do Oceano Índico, mas que os projéteis não teriam atingido as instalações.

Israel usou essas notícias para insinuar que os países europeus deveriam entrar na guerra. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, disse que o Irã mentiu sobre sua capacidade balística.

“Isso significa que os únicos três países europeus fora do alcance dos mísseis balísticos iranianos são a Islândia, a Irlanda e Portugal. A 4.000 km do Irã, encontram-se Berlim, Paris e Londres”, afirmou Gideon nas redes sociais.

Reino Unido

O governo do Reino Unido tem apoiado politicamente a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, chegando a fornecer apoio logístico para operações de “defesa” na região.

Publicidade

Na sexta-feira (20), o governo britânico confirmou que os EUA estão usando as bases do Reino Unido “na autodefesa coletiva da região que inclui operações defensivas americanas para degradar os locais e capacidades de mísseis usados ​​para atacar navios no Estreito de Ormuz”.  

Essa confirmação gerou reação do governo iraniano. O ministro das Relações Exteriores de Teerã, Seyed Abbas Araghchi, destacou que a maioria do povo britânico não quer qualquer participação na guerra.

“Ignorando seu próprio povo, o Sr. Starmer [primeiro-ministro do Reino Unido] está colocando vidas britânicas em perigo ao permitir que bases do Reino Unido sejam usadas para agressões contra o Irã. O Irã exercerá seu direito à autodefesa”, alertou Araghchi, antes das acusações de ataques à base de Diego Garcia.

Programa do Irã

Uma das justificativas usadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para atacar o Irã é a alegação de que Teerã estaria próximo de construir mísseis intercontinentais que poderiam chegar ao território estadunidense. 

Alegação essa que voltou a ser repetida pelo chefe da Otan, Mark Rutte.

Os próprios serviços de inteligência dos EUA avaliam um tempo mais extenso para o Irã desenvolver esse tipo de tecnologia, sem confirmar que o país estaria perseguindo esse objetivo.

Em audiência no Senado dos EUA na semana passada, a diretora da Inteligência Nacional do país, Tulsi Gabbard, afirmou que o Irã poderia chegar nesse tipo de tecnologia até 2035.

“A comunidade de inteligência avalia que o Irã já demonstrou capacidade de lançamento espacial e outras tecnologias que poderia utilizar para começar a desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM) militarmente viável antes de 2035, caso Teerã tente prosseguir com essa capacidade”, disse Gabbard aos senadores. 

A diretora de Inteligência de Washington acrescentou que essas avaliações sobre o programa do Irã estão sendo atualizadas devido à guerra e aos "ataques devastadores às instalações de produção de mísseis, aos estoques e às capacidades de lançamento do Irã". 

Publicidade

Notícias relacionadas

Israel e EUA atacaram quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã

O número de ataques de Israel ou dos Estados Unidos (EUA) contra centros e profissionais de saúde segue crescendo ao longo da nova fase do conflito no Oriente Médio. No Líbano, 70 unidades de saú

24 de Março, 2026

Irã ameaça indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados

Após sofrer ataques contra infraestruturas energéticas do país, o Irã emitiu um alerta, nesta terça-feira (18), para evacuação de cinco instalações de processamento de petróleo e gás no Cat

18 de Março, 2026

Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia: “Irã não é ameaça iminente”

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (EUA), Joseph Kent, renunciou ao cargo, nesta terça-feira (17), por não concordar com a guerra no Irã promovida pelo governo de D

17 de Março, 2026