São Paulo, 16 de Outubro de 2026
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Ofensiva de Trump contra Venezuela preocupa especialistas

Especialistas indicam um cenário de indefinição após ataques dos Estados Unidos à Venezuela e captura do presidente Nicolas Maduro e de sua esposa, Cilia Flores pelos norte-americanos. O presidente Donald Trump prometeu governar o país sul-americano

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Rádio Agência Nacional

Ofensiva de Trump contra Venezuela preocupa especialistas
Créditos: Rádio Agência Nacional

Especialistas indicam um cenário de indefinição após ataques dos Estados Unidos à Venezuela e captura do presidente Nicolas Maduro e de sua esposa, Cilia Flores pelos norte-americanos.

O presidente Donald Trump prometeu governar o país sul-americano durante uma transição e se apropriar da exploração do petróleo do país. Para o professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, Gilberto Maringoni, a agressão dos Estados Unidos mostra um novo padrão para sua política externa.

“A ação americana foi tão brutal, tão fulminante, tão rápida e tão sem justificativa que eu falo: ‘Olha, se não mudou a geopolítica, o Trump estabelece um novo padrão de exercício do seu poder internacional. O novo padrão é o seguinte: eu não vou medir esforços, sejam diplomáticos, sejam militares, para ter o que eu quero. Então, a questão da Venezuela faz parte disso, eu bombardeio quem eu quiser’. A sensação agora é de profunda instabilidade institucional”

Para a professora Carla Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que pesquisa a história da Venezuela, não é esperada uma reação do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne nesta segunda-feira. Para ela, é possível que a ofensiva militar de Trump seja bloqueada por uma reação do Sul Global.

“Estamos diante de uma dinâmica nova, na emergência de um mundo multipolar, e os Estados Unidos reagem de uma forma violenta ao seu enfraquecimento global. Se mantida em escala internacional, se a China, a Rússia e o Sul Global reagirem de uma forma objetiva, mais do que com declarações, é possível que esse ataque, que essa ofensiva militar do governo Trump, seja bloqueada.”

Gilberto Maringoni aponta que ainda faltam muitas informações para compreender todo o cenário após o ataque norte-americano, como a ausência de resistência militar venezuelana à ação.

“Das forças armadas mais equipadas do continente, com equipamentos russos principalmente, porque que os helicópteros entraram no país, fizeram voos rasantes em Caracas, desceram numa fortaleza militar altamente armada, nenhum helicóptero foi derrubado, nenhum soldado americano foi morto. Por que que isso aconteceu? Por que que a invasão foi, do ponto de vista venezuelano, passiva? Porque foi recebida passivamente? Tem essa incógnita que está colocada.”

Mas para a professora Carla Ferreira, as manifestações da justiça venezuelana e o apoio das Forças Armadas à vice-presidente Delcy Rodriguez mostram que há uma coesão interna dentro do atual governo.

“Podemos falar sim na continuidade do governo constitucional bolivariano da Venezuela. Nesse momento, não há nenhuma evidência de que haja transição de governo na Venezuela. Mantida essa coesão interna venezuelana e havendo uma resposta internacional contundente, é possível que esse ataque do governo Trump redunde em uma rotunda derrota histórica do imperialismo estadunidense.”

O professor Gilberto Maringoni aponta que a nova doutrina externa dos Estados Unidos é uma forma de impedir as relações dos países latino-americanos com a China, que desafia internacionalmente os norte-americanos.

“O principal foco da política externa americana agora, definida pelo Trump, é o seguinte: os Estados Unidos têm que exercer seu domínio, sua hegemonia total na América Latina. E o que se vê é a expulsão da China do continente. Isso começou a ser feito quando os Estados Unidos no início do governo anunciaram que iam tomar de volta o canal do Panamá. Não tomaram de volta militarmente, mas fizeram um acordo para tirar a possibilidade ou encarecer muito o frete dos navios chineses. ”

Carla Ferreira ressalta ainda que o ataque à Venezuela traz um alerta para os demais países do continente, inclusive o Brasil.

“Nós estamos falando da possibilidade do fim do Estado venezuelano. E, mais do que isso, é um alerta para toda a América Latina, para todos aqueles que ousarem desobedecer as ordens do império.”

Logo após os ataques, o presidente Lula afirmou que as ações dos Estados Unidos contra a Venezuela representam uma afronta gravíssima a soberania do país vizinho e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

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