
Quase 14% dos entregadores de comida por aplicativos do Rio de Janeiro e de São Paulo enfrentam restrição alimentar moderada ou grave. Esse percentual é maior que a média nacional, que é de cerca de 9%. Além disso, 32% desses trabalhadores vivem em domicílios com algum grau de insegurança alimentar. Os dados são de uma pesquisa inédita da organização Ação da Cidadania, divulgada nesta quinta-feira (3).
Além das dificuldades relacionadas à fome, o levantamento aponta que os entregadores enfrentam problemas com despesas desse tipo de trabalho. A maioria, por exemplo, paga o plano de dados do próprio bolso, não possui seguro do aparelho e do veículo e não tem seguro de vida ou de saúde.
Rodrigo “Kiko” Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania, reforça a gravidade dos dados encontrados.
“Fica evidente para a gente que esse modelo de trabalho, do jeito que está, é um tipo de escravidão moderna, onde o trabalhador entra com todo o trabalho, o risco ferramental, o tempo, e recebe em troca contrapartidas que não são suficientes para que essa pessoa possa ter uma vida digna”, afirmou.
A pesquisa mostra ainda que quase 60% dos entregadores trabalham todos os dias por mais de 9 horas e 72% não contribuem com a Previdência Social. Além disso, segundo o estudo, a maioria dos entregadores são do sexo masculino, negros e mais de 92% não estão na universidade.
Rodrigo destaca a dificuldade de, nessas condições, eles alcançarem um futuro melhor. “Você imagina um futuro onde esses trabalhadores vão tentar sair da plataforma sem tempo, sem estudar e sem renda. A possibilidade é muito pequena”, disse.
A pesquisa foi elaborada com entrevistas presenciais realizadas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro em 2024.
© Rovena Rosa/Agência Brasil Geral Dados relatam fome e outras dificuldades relacionadas ao trabalho Rio de Janeiro 03/04/2025 - 21:31 Fábio Cardoso / Paulliny Fernandes Carolina Pessoa, da Rádio Nacional motorista de aplicativo Insegurança Alimentar pesquisa quinta-feira, 3 Abril, 2025 - 21:31 2:00