20 de Maio, 2026 13h05mSegurança por Rádio Agência Nacional

RJ: 9 em cada 10 moradores de comunidades reprovam confrontos armados

Nove em cada dez moradores de comunidades fluminenses reprovam operações policiais com confronto armado. E quase a totalidade das pessoas que vivem nos Complexos do Alemão e da Penha, no conjunto de Favelas da Maré, e na Rocinha afirmam que essas ações não ajudam no aumento da segurança das famílias. As informações fazem parte de um levantamento inédito divulgado nesta quarta-feira (20), realizado por seis organizações da sociedade civil

Nove em cada dez moradores de comunidades fluminenses reprovam operações policiais com confronto armado. E quase a totalidade das pessoas que vivem nos Complexos do Alemão e da Penha, no conjunto de Favelas da Maré, e na Rocinha afirmam que essas ações não ajudam no aumento da segurança das famílias.

As informações fazem parte de um levantamento inédito divulgado nesta quarta-feira (20), realizado por seis organizações da sociedade civil. A pesquisa “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?” ouviu mais de quatro mil pessoas de forma presencial nos territórios.

O objetivo do estudo é lançar luz sobre a vivência e a opinião dos principais atingidos pelo modelo atual de operação policial centrado no enfrentamento bélico, a partir das percepções e dos sentimentos dos moradores, além dos desejos de mudanças.

Vida muda em dia de operação 

Para o vice-presidente do Instituto Papo Reto, uma das organizações participantes da pesquisa, Thainã de Medeiros, esses indicadores não são novidade para moradores de favelas, pois eles têm a vida diretamente afetada por operações policiais. 

“Quando o morador de favela está dentro da sua casa, está se preparando para ir pro trabalho e tem uma operação, ele precisa repensar o seu dia inteiro. Ele precisa justificar pro patrão por que que ele não vai. Impedir que o filho dele vá para a escola, se organizar para ficar com o filho dele dentro de casa. Se organizar para não ir fazer compras no mercado, porque o seu direito de ir e vir, ele é todo cerceado. E a gente percebeu isso na pesquisa: é, de longe, o maior medo do morador de favela é ter o seu direito de ir e vir afetado.”

Outros medos relatados por moradores são:

o de ter a casa invadida, e o de ser baleado, lista Thainã.

"Morador paga conta que não é dele"

Ele explica que a pesquisa usou as metodologias quanti e qualitativas e, durante os grupos focais, algumas frases de insatisfação apareceram de forma mais incisiva. Foram enunciados como “A vida para quando tem operação” e “O morador paga uma conta que não é dele”.

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O vice-presidente do Instituto Papo Reto reforça a importância de se ouvir quem vive nas favelas:

“Surpreende que essas frases e esses números eles aparecem, inclusive, na população que concorda com as operações policiais. Você vai ouvir essas populações, eles falam: ‘Olha, eu concordo com a operação policial, mas a polícia comete excesso. Eu concordo com a polícia... com a operação policial, mas não me sinto mais seguro. É, concordo com a operação policial, mas isso não traz segurança para a comunidade’. Ou seja, não basta entender se a pessoa concorda ou não concorda, é importante ouvi-la mais. A favela, ela precisa ser ouvida. A favela não é só um número, a favela é mais do que um número.”

O resultado da pesquisa alerta para a discussão de alternativas de segurança pública que não se resumam a conflitos e confrontos violentos, e que as soluções passem pelo processo de escuta da população afetada.  

O levantamento foi realizado pelas organizações Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste, que têm atuação direta nos territórios pesquisados.

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