São Paulo, 15 de Outubro de 2026
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SAÚDE

Saiba como melhorar a qualidade do sono

Pela primeira vez, o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde investigou o sono da população brasileira

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Agência Brasil

Saiba como melhorar a qualidade do sono
Créditos: Agência Brasil

Pela primeira vez, o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde investigou o sono da população brasileira.

Uma das descobertas é a que 20,2% dos adultos nas capitais e no Distrito Federal dormem menos de 6 horas por noite (mínimo preconizado pela Organização Mundial da Saúde) e 31,7% têm pelo menos um dos sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) que homens (26,2%).

“A gente pode fazer uma leitura crítica a todo o contexto social em que vivemos. A sociedade contemporânea exige alta produtividade, que estejamos sempre hiper atentos e hiper vigilantes, não só em relação ao trabalho mas no cuidado com filhos e pais, porque a população idosa está vivendo cada vez mais, além dos aspectos da violência urbana.”

Sobre a maior prevalência do sono de má qualidade entre as mulheres, a psicóloga avalia que o trabalho do cuidado recai sobre a população feminina porque existe uma pressão social para que a mulher ocupe essa função do cuidado. Além disso, a variação hormonal da mulher na perimenopausa e na menopausa afeta a qualidade do sono na saúde feminina.

A falta de sono traz mais cansaço, dores de cabeça, ansiedade, irritabilidade, entre outros aspectos. “O senso comum associa a insônia a um estado mais preocupado, de estar em um momento mais pressionado da vida”, disse Renata.

Higiene do sono

Segundo a psicóloga, a higiene do sono consiste em se desligar em alguma medida de todos os objetos do dia a dia que nos fazem sentir esse estado de vigilância constante. A recomendação é desligar com antecedência as telas de luz azul, como celulares e televisores, diminuir as luzes da casa e estar em um ambiente que seja silencioso para propiciar que o sono aconteça.

“Também é importante investigar outros fatores, como apneia do sono. Muitas vezes, é necessário procurar ajuda profissional, mas também procurar estar com pessoas que nos fazem bem, praticar atividades prazerosas que propiciem uma pausa na vida, atividade física e alimentação saudável”, afirmou Beatriz.

Nutrição

A nutricionista Fabiola Edde elenca alguns vilões do sono de qualidade nos aspectos alimentares, entre eles o consumo exagerado de bebidas à base de cafeína. “Tem pessoas que dizem que dormem mesmo bebendo café, Coca-Cola, mas acabam atrapalhando a qualidade do sono”.

Outro vilão é o álcool, que acaba atrapalhando também porque inibe a melatonina (hormônio responsável pela indução inicial do sono).

“No mundo moderno, as pessoas chegam em casa estressadas, vão beber vinho ou cerveja para poder relaxar, o que acaba atrapalhando o sono. A pessoa pode até dormir, porque o álcool relaxa, mas a qualidade do sono acaba ficando ruim e isso prejudica até a saúde mental”, disse a nutricionista.

Ela também explicou que o açúcar é vilão, porque a pessoa vai ter um pico de insulina (hormônio produzido pelo pâncreas, essencial para regular a glicose no sangue), o que aumenta o estado de alerta. “E a noite é para relaxar e não para estar em estado de alerta”.

Alimentos ricos em gordura como fritura, muito molho, maionese, dificultam o esvaziamento gástrico e a digestão, o que também pode alterar a qualidade do sono. “Excesso de sódio também atrapalha, porque você fica com mais sede, bebe mais água e acorda à noite para urinar, o que acaba dificultando também esse processo”, afirmou Fabiola.

Hábitos como comer muito tarde, já perto do horário de dormir, são ruins, porque o esvaziamento gástrico demora e atrapalha a digestão. “O quanto mais cedo puder jantar melhor. As pessoas devem jantar até as 20h.

Para quem dorme muito tarde, pode fazer uma ceia depois do jantar, comer uma banana com aveia, um kiwi, um copo de leite, que são alimentos que ajudam no sono porque são fontes de triptofano (aminoácido essencial, não produzido pelo corpo, fundamental para a síntese de serotonina e de melatonina) e magnésio”, explicou a nutricionista.

Abacate, sementes de girassol e de abóbora, cereais integrais, mingau de aveia são exemplos de bons alimentos para a qualidade do sono.

“Tem gente que tira o carboidrato à noite e não consegue dormir bem, porque o carboidrato é importante para a produção de serotonina e melatonina”, destacou.

“É no sono que o hormônio da fome e da saciedade são regulados. Dormir é importante para emagrecer. Privação do sono pode aumentar a ingesta calórica em 500 calorias no dia seguinte e a busca por alimentos ricos em gordura e açúcar. A gente precisa de uma boa noite de sono para ter os hormônios equilibrados”, concluiu a especialista.

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