São Paulo, 17 de Outubro de 2026
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SAÚDE

Dois terços das mulheres do Rio sofreram violência obstétrica

Aproximadamente dois terços das mulheres do Rio de Janeiro ouvidas pela Pesquisa Nascer no Brasil 2 relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência obstétrica durante o parto

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Agência Brasil

Dois terços das mulheres do Rio sofreram violência obstétrica
Créditos: Agência Brasil

Aproximadamente dois terços das mulheres do Rio de Janeiro ouvidas pela Pesquisa Nascer no Brasil 2 relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência obstétrica durante o parto. Os toques vaginais inadequados foram a forma de violência mais frequente, sofridos por 46% das participantes. Em seguida vem os relatos de negligência, feitos por 31%, e de abuso psicológico, por 22%.

Os dados fazem parte da segunda edição do maior inquérito sobre parto e nascimento do Brasil, feito pela Fundação Oswaldo Cruz. O suplemento sobre a situação do Rio de Janeiro foi divulgado nesta quarta-feira (03), com informações de 1923 mulheres, admitidas em 29 maternidades, públicas, privadas e mistas, de todas as regiões do estado entre 2021 e 2023. Os dados completos do país serão revelados no ano que vem. 

“Quem é que sofreu o maior número de violências? Mulheres que eram jovens, adolescentes e as mais velhas; mulheres que tinham baixa escolaridade e as que recebiam benefícios sociais do governo, ou seja, as mais pobres. Quanto ao financiamento do parto, é maior a violência no setor público. Também é maior a violência no parto vaginal, porque a mulher fica em contato com os profissionais de saúde por mais tempo. Inclusive, quanto mais tempo ela ficar no hospital, maior a chance de ter uma violência obstétrica” complementa a coordenadora-geral da pesquisa, Maria do Carmo Leal. 

A pesquisa também mostra que 53 parturientes passaram pela chamada manobra de Kristeller, quando o profissional empurra ou sobe em cima da pessoa durante o parto vaginal, para acelerar a saída do bebê. O procedimento é proibido por lei estadual desde 2016 e desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, por causa dos danos que pode causar à parturiente e o bebê. 

O estudo destaca que, se a prevalência da pesquisa for projetada para todos os nascimentos ocorridos no estado em 2022, “cerca de 5,6 mil mulheres sofreram uma das formas mais graves de violência física durante o parto no estado.”

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