07 de Maio, 2026 20h05mPolítica por Rádio Agência Nacional

Ministros do Brasil e dos EUA vão discutir tarifas; prazo é de 30 dias

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos vão realizar uma nova reunião nos próximos 30 dias com a expectativa de colocar um fim às negociações sobre tarifas comerciais. A informação foi dada pelo presidente Lula, nesta quinta-feira (7), durante coletiva de imprensa que ocorreu após reunião realizada com o presidente Donald Trump e representantes dos dois países na Casa Branca

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos vão realizar uma nova reunião nos próximos 30 dias com a expectativa de colocar um fim às negociações sobre tarifas comerciais.

A informação foi dada pelo presidente Lula, nesta quinta-feira (7), durante coletiva de imprensa que ocorreu após reunião realizada com o presidente Donald Trump e representantes dos dois países na Casa Branca.

“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto e nós sempre falamos: ‘Não, porque nós temos a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2.7%. Mas eles continuam a teimar, mas tem produto que é 12%. Então, eu falei assim: ‘então, Trump, vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da indústria do comércio do Brasil, junto com o teu moço do comércio, sente em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder manter o martelo. Quem tiver errado, vai ceder”.

Clima amistoso 

O encontro entre os dois líderes durou três horas e foi avaliado por Trump como "muito produtivo", em uma postagem pelas redes sociais. No texto, o presidente dos Estados Unidos ressaltou o tema do comércio bilateral como destaque da agenda de trabalho.

Os Estados Unidos investigam o Brasil no âmbito da chamada 'Seção 301', que apura supostas práticas desleais de comércio. No entanto, em 2025, o governo brasileiro registrou um déficit entre 20 e 30 bilhões de dólares no comércio bilateral com os Estados Unidos.

Ainda na publicação, Trump chamou Lula de "o dinâmico presidente do Brasil", e o clima amistoso foi destaque em diferentes momentos da conversa de Lula com os jornalistas.

"Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para o Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito e vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele: ‘ria um pouco, é importante, alivia, alivia a nossa alma, se a gente rir um pouco”.

Apesar do tom descontraído, Lula fez críticas a postura bélica do governo de Donald Trump.

“Olha, o Trump não vai mudar o jeito dele ser por causa de uma reunião que durou três horas comigo. O que eu fiz questão de dizer para ele é o que eu penso das coisas que eu acho que podem ser feitas. Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra. Eu acho que a invasão do Irã vai causar mais prejuízo do que ele está imaginando, mas tem várias suposições. Ele acha que a guerra já acabou, não é o real. Ele acha que na Venezuela, tá tudo resolvido”.

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Bloqueio a Cuba 

Lula se colocou à disposição a ajudar a Casa Branca a dialogar sobre a situação de Cuba e afirmou ter ouvido de Trump que não haverá invasão ao país caribenho.

“Eu ouvi, não sei se a tradução foi correta, é que ele disse que não pensa em invadir Cuba. Isso foi dito pela intérprete, sabe? E eu acho que isso é um grande sinal, até porque Cuba quer dialogar. Cuba quer dialogar e Cuba quer encontrar uma solução para colocar fim a um bloqueio que nunca deixou Cuba ser um país completo, livre desde a vitória da Revolução de 59”.

Crime organizado 

O combate ao crime organizado transnacional também foi tema do encontro. Perguntado por jornalistas, Lula afirmou que não discutiu sobre a possibilidade de classificar organizações criminosas que atuam em solo nacional como terroristas.

Sobre essa pauta, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para resolver questões ligadas à segurança, como o tráfico de armas e lavagem de dinheiro.  

“Também é importante saber que parte das armas que chega no Brasil sai dos Estados Unidos, sabe? É importante também que tem lavagem de dinheiro que é feito em estados americanos. Então, se a gente souber isso e colocar a verdade em torno da mesa e criar um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, a gente pode resolver em anos aquilo que não se resolveu em séculos”.

Outro impasse entre os dois países, a aplicação da Lei Magnitsky, com sanções econômicas e proibição de entrada de estrangeiros nos Estados Unidos, acusados de violações graves, segue sem desfecho. Lula entregou novamente a Donald Trump uma lista dos brasileiros que seguem sancionados pela lei norte-americana.  

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