São Paulo, 16 de Outubro de 2026
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Especialista explica interesses por trás da ofensiva norte-americana

O ataque deste sábado é a primeira intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina desde 1989, quando aconteceu a invasão do Panamá e a deposição do general Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico. Esse é um dos pontos defe

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Rádio Agência Nacional

Especialista explica interesses por trás da ofensiva norte-americana
Créditos: Rádio Agência Nacional

O ataque deste sábado é a primeira intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina desde 1989, quando aconteceu a invasão do Panamá e a deposição do general Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico. Esse é um dos pontos defendidos pelo presidente estadunidense, Donald Trump, no ataque à Venezuela: de que Nicolás Maduro teria um papel central no tráfico de drogas no continente, uma alegação não comprovada.

O evento configura violação da soberania nacional do território venezuelano, segundo explica o professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Bernardo Salgado Rodrigues, que destaca a magnitude histórica do ataque para toda a América do Sul e os interesses por trás da ofensiva realizada pelos Estados Unidos.

“A perspectiva de interesses geopolíticos e energéticos dos Estados Unidos na região, principalmente em questão do controle das reservas de petróleo da Venezuela, que são as maiores reservas de petróleo do sistema internacional. Para além disso, também temos alguns minerais estratégicos, tanto na Venezuela quanto na região da Amazônia sul-americana, que são de interesse imediato dos Estados Unidos para os próximos ciclos científico-tecnológicos”, destaca.

Na perspectiva jurídica do direito internacional, o ataque a um país é proibido, com apenas duas exceções: quando há autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou em caso de legítima defesa. A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela é ilegal e pode ser entendida como crime de agressão segundo o Estatuto de Roma, conforme explica o professor da UFRJ, que ressalta ainda que o país sul-americano já vinha sendo alvo de guerra econômica, com sanções, e que o ataque à Venezuela pode abrir precedente para uma futura intervenção no Brasil.

“Se a gente for levar em consideração que, em dezembro de 2025, o governo Trump realizou uma declaração de que qualquer país envolvido no envio de drogas para os Estados Unidos poderia se tornar alvo de ataques militares, o Brasil também passa a fazer parte desse radar geopolítico norte-americano. Então, isso também tem que ser levado em consideração para os estrategistas geopolíticos brasileiros, de que a gente tem que se preparar, sim, para esse ímpeto geopolítico cada vez mais incisivo dos Estados Unidos, que estão visualizando a perda do protagonismo no sistema internacional e, nessa tentativa de retomar o imperialismo norte-americano, acaba fazendo com que a América do Sul entre novamente dentro do radar da sua esfera imediata, assim como foi desde a Doutrina Monroe, no século XIX.”

De acordo com o professor da UFRJ, a situação deve intensificar a crise migratória da Venezuela em fronteiras com a Colômbia e o Brasil.

Gustavo Petro

Na manhã deste sábado (3), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou o episódio como “gravíssima agressão militar” e afirmou que o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil.

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