03 de Agosto, 2026 14h08mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

Falta de água pode prejudicar mais as plantas do que o calor

Em um cenário de agravamento das mudanças climáticas, com a chegada do super El Niño neste segundo semestre, a falta de água pode pesar mais para a sobrevivência das plantas do que o aumento da temperatura do planeta. É o que mostra um estudo internacional, que contou com a participação de pesquisadores brasileiros. De acordo com a tese, é mais importante que uma planta permaneça viva de um ano para o outro do que crescer e produzir sementes

Em um cenário de agravamento das mudanças climáticas, com a chegada do super El Niño neste segundo semestre, a falta de água pode pesar mais para a sobrevivência das plantas do que o aumento da temperatura do planeta. É o que mostra um estudo internacional, que contou com a participação de pesquisadores brasileiros.

De acordo com a tese, é mais importante que uma planta permaneça viva de um ano para o outro do que crescer e produzir sementes. A pesquisa divulgada na revista Nature analisou a sobrevivência de espécies vegetais em diferentes partes do mundo durante sete décadas. 

Gabriel Santos, um dos autores da pesquisa, explica que o estudo desenvolveu uma nova ferramenta para medir como as plantas respondem às oscilações ambientais.

"A gente conseguiu entender como que essa dinâmica entre gastar mais energia tentando sobreviver ou gastando mais energia tentando reproduzir afeta essa resposta e, assim, a sobrevivência, né, acumular energia, por exemplo, em raízes mais longas, algumas características assim das plantas, né, elas são mais muito mais importantes do que, por exemplo, o número de sementes que ela produzir, o número de frutos".

Características como raízes mais profundas e capacidade de armazenar água garantem uma maior resiliência para as espécies vegetais do que sua capacidade de reprodução.

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Os resultados da pesquisa podem auxiliar nas ações de conservação ambiental. A proteção de rios e o uso de mudas mais desenvolvidas para o reflorestamento aumentam a chance da recuperação das plantas, como destaca Gabriel Santos.

"Sobrevivência é mais importante do que reprodução, a gente então começa a poder focar onde vão ser as nossas estratégias, né? Então, eventualmente, por exemplo, o plantio de muda possam esperar um pouquinho mais para colocar mudas maiores, porque as plantas as plantas morrem com muita frequência quando elas são jovens, mas se elas forem colocadas em projetos de restauração com tamanho maior, mais de velhas, pode ser um custo um pouquinho maior lá na produção, mas com retorno muito grande lá no projeto de restauração".

O pesquisador ainda alerta que com os eventos climáticos mais extremos, é importante ampliar o monitoramento científico para proteger a biodiversidade e ampliar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

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