São Paulo, 13 de Outubro de 2026
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Moradores voltam a ser ouvidos sobre impactos de projeto da Vale no PA

O Ministério Público Federal realizou mais uma diligência técnica para ouvir os moradores da Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás, no Pará, sobre os impactos socioambientais provocados pela operação do Projeto Sossego e pela iminente instalação do Pr

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Rádio Agência Nacional

Moradores voltam a ser ouvidos sobre impactos de projeto da Vale no PA
Créditos: Rádio Agência Nacional

O Ministério Público Federal realizou mais uma diligência técnica para ouvir os moradores da Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás, no Pará, sobre os impactos socioambientais provocados pela operação do Projeto Sossego e pela iminente instalação do Projeto Bacaba, ambos da mineradora Vale S.A. O Projeto Sossego é a primeira mina de cobre da empresa. 

Desde 2023, o MPF instaurou um procedimento para apurar os impactos causados pela mineração na comunidade. A escuta dos moradores é mais uma etapa deste processo.

Durante a diligência, a equipe do MPF também visitou as proximidades do Projeto Sossego para verificar a distância entre a mina e a Vila Bom Jesus, confirmando a curta distância entre o projeto e a comunidade, as plantações mortas e as nuvens de poeira vindas do empreendimento.

Moradores denunciaram também que estão sendo impedidos de acessar o rio Parauapebas. Segundo os depoimentos, guardas florestais e seguranças privados têm agido com truculência, confiscando motores, canoas e redes. O depoimento dos pescadores também destacou que o rio está secando e mudando a dinâmica devido aos rejeitos e obras da mineradora. Houve também o aumento de doenças respiratórias, problemas gastrointestinais e casos de câncer na região, que a comunidade associa à contaminação da água e do ar.

O que diz a empresa

Em nota, a Vale informou que adota os devidos controles ambientais nas operações, incluindo o monitoramento da qualidade do ar e da água, bem como dos níveis de ruído e vibração, e que os dados coletados são repassados aos órgãos competentes.

Em relação ao acesso ao rio Parauapebas, a mineradora informou que ele é regulado por regras ambientais aplicáveis à região, não por determinação da empresa e que já implementou projetos de aquicultura junto à comunidade pesqueira.

A próxima etapa de investigação, segundo o MPF, consiste na realização de um estudo técnico com pesquisadores da Universidade Federal do Pará, que será custeado pela prefeitura de Canaã dos Carajás. Uma equipe técnica com biólogos e engenheiros sanitários fará uma análise real dos impactos ambientais na água e no solo. Além disso, a universidade vai realizar também uma perícia antropológica junto à comunidade para registrar como era a vila antes e como ficou depois da instalação do empreendimento da Vale.

* Com produção de Dayana Vitor.  

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