22 de Janeiro, 2026 19h01mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

Áreas desmatadas da Amazônia sofrem com aumento de temperatura na seca

Os pesquisadores do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, constataram que superfícies desmatadas da Amazônia sofrem com o aumento de 3°C em estações secas. Além disso, essas regiões também sofrem com a redução da evapotranspiração – processo essencial para a agricultura e para a ocorrência de chuvas. A partir de dados de satélite, a análise comparou características climáticas de regiões com alta cobertura florestal e zonas bastante desmatadas na maior floresta do mundo

Os pesquisadores do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, constataram que superfícies desmatadas da Amazônia sofrem com o aumento de 3°C em estações secas. Além disso, essas regiões também sofrem com a redução da evapotranspiração – processo essencial para a agricultura e para a ocorrência de chuvas.

A partir de dados de satélite, a análise comparou características climáticas de regiões com alta cobertura florestal e zonas bastante desmatadas na maior floresta do mundo. Além disso, os resultados comprovaram a redução de 12% e 25% na evapotranspiração e quantidade de chuvas, respectivamente. Para efeito de comparação, as zonas altamente desmatadas têm, em média, 11 dias a menos de chuvas.

Um dos autores do estudo, Marcus Silveira explica como as florestas podem ser determinantes para manter o equilíbrio:

“As florestas são muito importantes para a mitigação das mudanças climáticas globais, através do sequestro de gás carbônico da atmosfera. É como se essas florestas tivessem esse efeito de amenizar as condições quentes e secas, reduzindo a severidade dessas condições. Então, traz benefícios diretos para a população rural que mora próximo dessas florestas, assim também como para as atividades que dependem diretamente do clima, como a agricultura.”

Desmatamento ainda preocupa

Apesar da redução do desmatamento nos últimos três anos, a Amazônia brasileira segue em níveis preocupantes. Dados da Coleção 10 do MapBiomas mostram que mais de 520 mil quilômetros quadrados – uma área maior que o território da Espanha – foram perdidos entre 1985 e 2024. Nesse período, atividades como pecuária, agricultura e mineração ocuparam a maior parte do espaço.

O Inpe também identificou a remoção de mais de seis mil quilômetros quadrados da Amazônia Legal, zona em que é obrigatória a preservação de 80% da vegetação nativa da área dos imóveis privados na floresta. Com isso, as mudanças climáticas passam a comprometer a biodiversidade local, gerando a morte de espécies de animais e plantas mais sensíveis ao antigo ambiente.

Marcus Silveira explica que, sem controle, o processo é prejudicial até mesmo para atividades econômicas que dependem das condições climáticas:

Publicidade

“O desmatamento vai atuar nesse sentido, de aumentar o risco de estresse climático para a produção agrícola. E, em casos, inclusive de eventos extremos, como ondas de calor e secas extremas, o desmatamento acaba contribuindo para que esses extremos sejam ainda mais severos.”

Por falar em condições climáticas, o Instituto Nacional de Meteorologia constatou que 2025 foi o sétimo ano mais quente da série histórica brasileira, que compreende o período de 1961 a 2024. Na escala, 2024 e 2023 são o primeiro e o segundo mais quentes, respectivamente.

COP30

O governo brasileiro tem tentado encontrar soluções para esse cenário. Durante a COP30, no ano passado, o país esteve à frente na criação de dois principais projetos socioambientais de combate ao desmatamento. São eles o Mapa do Caminho – iniciativa que também estabelece diretrizes de redução da emissão de gases do efeito estufa; e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta financeira multinacional que remunera países pela conservação de florestas tropicais.

Publicado na revista Communications Earth & Environment, o estudo aposta no reflorestamento e na redução do consumo de combustíveis fósseis como forma de trazer mais equilíbrio ao meio ambiente.

*Sob supervisão de Samia Mende

3:32

Publicidade

Notícias relacionadas

Desmatamento na Amazônia cai 17% no primeiro trimestre de 2026

O primeiro trimestre de 2026 fechou com queda de 17% no desmatamento da Amazônia. Os dados são do Imazon. Entre janeiro e março deste ano, a derrubada da floresta amazônica teve uma redução equi

28 de Abril, 2026

Florestas degradadas da Amazônia estão se tornando mais vulneráveis

As florestas degradadas da Amazônia estão cada vez mais homogêneas e vulneráveis. Esse é o destaque de um estudo baseado em 20 anos de monitoramento, que mostra que espécies raras e com funçõe

05 de Maio, 2026

Pesquisa alerta para a gravidade da poluição com bitucas de cigarro

Pesquisa feita com base em estudos realizados em 55 países revelou dados alarmantes sobre o descarte de bitucas de cigarro em áreas litorâneas altamente frequentadas e populosas. São quatro trilh

21 de Abril, 2026