19 de Novembro, 2025 17h11mMeio Ambiente por Rádio Agência Nacional

COP30: especialistas avaliam debate em torno dos combustíveis fósseis

Nesta fase de negociações na COP30, em busca de soluções que possam salvar o planeta da emergência climática, um dos pontos fundamentais consiste em traçar um caminho viável para que o planeta passe a queimar cada vez menos combustíveis fósseis para a geração de energia. A líder de estratégia internacional da organização WWF-Brasil, Tatiana Oliveira, cita o "Mapa do Caminho" para a tão falada transição energética, mencionado em uma das cartas da COP30 como uma das propostas do Brasil

Nesta fase de negociações na COP30, em busca de soluções que possam salvar o planeta da emergência climática, um dos pontos fundamentais consiste em traçar um caminho viável para que o planeta passe a queimar cada vez menos combustíveis fósseis para a geração de energia.

A líder de estratégia internacional da organização WWF-Brasil, Tatiana Oliveira, cita o "Mapa do Caminho" para a tão falada transição energética, mencionado em uma das cartas da COP30 como uma das propostas do Brasil. Mas ela avalia que esse mapa, provavelmente, não será acordado neste momento, porque ainda demanda muita negociação:

"Por enquanto, o que fica registrado no texto é apenas a criação de mais um processo de deliberações, um conjunto de conversas entre os países e a elaboração de um relatório sobre um processo de trabalho que deve durar apenas um ano. Então, não é possível imaginar que, num tema tão contencioso como o fim dos combustíveis fósseis, vai entregar pra gente alguma ação concreta nessa direção, na direção do fim dos combustíveis fósseis."

Tatiana Oliveira, do WWF, ressalta o impacto ambiental causado pela queima de combustíveis fósseis para a geração de energia. Ela afirma que novos compromissos são necessários para uma transição para energias cada vez mais limpas e menos poluentes:

"Mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa são resultantes da queima de combustíveis fósseis. Então, compromissos reais pelo fim dos combustíveis fósseis ou pela redução da dependência dos combustíveis fósseis são elemento central do Acordo de Paris e são ações fundamentais para que a gente consiga vencer a batalha contra a mudança do clima."

Lula defendeu fim da queima de combustíveis fósseis

Em um dos encontros com líderes em Belém durante a Cúpula do Clima, há cerca de duas semanas, o presidente Lula defendeu o chamado “Mapa do Caminho” pelo fim da queima de combustíveis fósseis.

"No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais, capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade. Sem meios de implementação adequados, exigir ambição dos países em desenvolvimento é injusto e irrealista”, declarou o presidente na ocasião.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, conta que a ideia de Lula já tem adesão de pelo menos 80 países. Ele explica como seria traçado esse caminho pelo abandono do uso de combustíveis fósseis:

"O caminho seria você desenhar: quem faz esse abandono primeiro? Quanto tempo vai levar? Qual que é o tipo de esforço? Quais são os objetivos? Quem entra na segunda rodada? Como é que você vai ter o financiamento para fazer essa transição? Quais são as metas esperadas? Então, daqui a dez anos, nós vamos ter tantos poços de petróleo que vão ser substituídos por um outro tipo de tecnologia. Como é que isso daí não aumenta o desemprego? Como é que isso não gera mais inflação? Como é que as pessoas não perdem a sua capacidade econômica. Isso não causa endividamento do país? Então, são todas essas questões."

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Para a especialista em política internacional da organização ambiental Greenpeace, Camila Jardim, ainda não dá para prever que o assunto entre em um consenso. Mas o apoio da sociedade pelo fim da queima desses combustíveis já é um avanço.

"Mesmo que esta conferência não acorde em um processo para o fim dos combustíveis fósseis, a gente já tem um ganho qualitativo, porque esse processo está crescendo, e a gente precisa continuar batalhando para que ele se torne possível. Como aqui todas as decisões são tomadas por consenso, se um dos países não quiser, essa decisão não será tomada em plenária na COP30. Mas isso não impede todos os outros países de seguirem implementando isso. Então, a gente vê esse movimento crescer, e é isso que nos traz esperança”, destaca.

A transição energética vem sendo defendida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, muito antes de começarem as agendas da COP30. Em maio deste ano, em Brasília, ela enfatizou o assunto em discurso na Conferência Nacional do Meio Ambiente:

"Não basta triplicar a energia renovável, não basta duplicar a eficiência energética, é preciso fazer a transição para o fim de uso de combustível fóssil. Isso não é mágica, isso é investimento, é ciência. Mas eu prefiro que a gente faça uma transição justa e planejada para o fim do desmatamento, para o fim do uso de combustível fóssil, do que a gente, não tendo tomado a atitude no tempo certo, ter que ser mudado."

A queima de petróleo para a obtenção de energia é responsável por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa, principais causadores da crise climática. Entre os países que mais emitem esses gases estão China e Estados Unidos.

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