São Paulo, 15 de Outubro de 2026
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Valores democráticos são essenciais em acordos, diz chanceler alemão

Aliar-se a outros governos norteados pela cultura democrática, confiáveis e previsíveis e manter certo nível de protecionismo econômico foram algumas das posições defendidas pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul

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Agência Brasil

Valores democráticos são essenciais em acordos, diz chanceler alemão
Créditos: Agência Brasil

Aliar-se a outros governos norteados pela cultura democrática, confiáveis e previsíveis e manter certo nível de protecionismo econômico foram algumas das posições defendidas pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul. Ele falou durante painel do AHK Business Breakfast, promovido pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), um dos compromissos que cumpriu esta semana no Brasil.

Para o representante do governo alemão, a aproximação de países que funcionam ancorados em princípios como a legalidade, a segurança jurídica e a salvaguarda e igualdade de direitos fundamentais é estratégia em "um cenário mundial de maior desconfiança". Wadephul usou os Estados Unidos e a política de impostos de Donald Trump para exemplificar uma desordem que a Alemanha vem rejeitando. El apontou o Brasil como um parceiro de ligações estreitas. "Faz parte da nossa família", disse.

"A gente aprendeu que também precisa se defender e  deve coordenar nossa política nesse sentido", completou, mencionando a exportação de automóveis chineses a preços mais baixos do que os praticados no mercado interno, como saída para a produção excedente.

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Brasil

Svenja Ahlburg, porta-voz do Wilo Group no painel, chamou a atenção para a falta de crédito ao Brasil.

"Hoje, o Brasil é muito mais importante para a indústria alemã do que aparece no debate público", disse ela, responsável por mediar negócios em toda a América Latina, como vice-presidente da regional.

Outro aspecto destacado pela porta-voz foi a importância da geração de valor local e competitividade para o Brasil. Segundo ela, o acordo selado "por si só não resolve", com a redução tarifária e demais medidas, se não existirem tais componentes e também inovação.

"Temos que contribuir para que a indústria brasileira seja mais competitiva", avaliou, acrescentando que a meta é tornar o Brasil "um hub" e abandonar a roupagem de mero mercado consumidor.

Preservação ambiental

A Alemanha é, atualmente, a mais potente economia da Europa, a terceira no ranking mundial e o quarto principal parceiro comercial do Brasil, com quem movimenta US$ 21 bilhões. O volume de investimentos diretos é igualmente expressivo, com estoque acumulado de US$ 44 bilhões, o que coloca o país em sétimo lugar na lista.

Em maio deste ano, foi firmado o Acordo Mercosul-União Europeia, com o objetivo de estabelecer cooperação bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática. Além disso, a Alemanha figura entre os países que mais liberam recursos para projetos ambientais, como os de desmatamento, restauração florestal e fortalecimento de redes de produção sustentável, pelo Fundo Amazônia, com 18 anos de existência.

Considerados os contratos celebrados em 2010, 2017 e 2022 pelo fundo, contribuiu com R$ 387,8 milhões. Em abril, comprometeu-se a conceder R$ 2,94 bilhões a outro fundo, o Clima, de viabilização de ações, projetos e pesquisa com enfoque no impacto das mudanças climáticas no Brasil e redução de emissões dos gases de efeito estufa.

Concebido pelo governo brasileiro e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Fundo Amazônia já beneficiou 259 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, 75 mil indígenas e 122 terras indígenas do bioma, além de 192 unidades de conservação.

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