30 de Junho, 2026 16h06mEconomia por Agência Brasil

BC lança duplicata escritural para facilitar crédito a empresas

O mercado de crédito para as empresas brasileiras passará por uma transformação com a chegada da duplicata escritural, lançada oficialmente nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC)

O mercado de crédito para as empresas brasileiras passará por uma transformação com a chegada da duplicata escritural, lançada oficialmente nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC).

Com funcionamento em fase de testes e previsão de adoção gradual até junho de 2028, a ferramenta representa uma versão totalmente digital da duplicata tradicional usada em vendas a prazo entre pessoas jurídicas.

A mudança busca tornar as operações mais seguras, reduzir fraudes e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas (PMEs). >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Como funciona

A duplicata é um documento que representa uma dívida de uma empresa compradora com outra empresa vendedora. Ela costuma ser usada por negócios que vendem produtos ou serviços com pagamento futuro.

Antes da digitalização, parte dessas operações dependia de documentos físicos, registros separados e processos manuais. Isso aumentava o risco de problemas como informações desencontradas, duplicidade de recebíveis e dificuldades para comprovar a existência do crédito.

Com a duplicata escritural, os dados passam a ficar registrados em um ambiente eletrônico, permitindo acompanhar todo o histórico do título.

Na prática, o sistema oferece:

Mais transparência nas operações; Rastreamento dos recebíveis; Redução de fraudes; Maior segurança para bancos e empresas; Processos mais rápidos e organizados.

Pequenas e médias empresas

Para pequenas e médias empresas, a mudança pode melhorar as condições de acesso a financiamentos.

Ao apresentar recebíveis registrados digitalmente, empresas podem ter mais facilidade para antecipar valores que receberiam no futuro ou oferecer esses créditos como garantia em operações financeiras.

O novo sistema também tende a ajudar instituições financeiras a avaliar melhor os riscos, pois permite analisar com mais precisão a origem e a validade dos recebíveis.

Publicidade

Principais números

R$ 11 trilhões: tamanho estimado do mercado envolvido nas operações 2 milhões: número estimado de empresas emissoras de duplicatas 18 mil: grandes empresas consideradas sacadoras;

Implantação gradual

A adoção do novo sistema será feita por etapas. Antes da obrigatoriedade, haverá uma fase de testes para validar o funcionamento do ecossistema digital.

O cronograma prevê:

Empresas de grande porte: adesão obrigatória a partir de junho de 2027; Empresas médias: até dezembro de 2027; Pequenas empresas: a partir de junho de 2028.

Menos riscos

O Banco Central afirma que o novo modelo deve reduzir problemas comuns no mercado de recebíveis, como a negociação do mesmo crédito mais de uma vez ou a dificuldade para verificar se uma dívida realmente existe.

Com o registro digital, bancos, fundos e empresas poderão consultar informações sobre a situação de cada duplicata.

Apesar dos avanços, especialistas destacam que a tecnologia não elimina todos os riscos. As empresas continuarão precisando manter controles internos, documentos fiscais corretos e organização financeira.

Nova rotina

A mudança exigirá integração entre áreas financeiras, fiscais, comerciais e jurídicas das empresas. Será necessário garantir que notas fiscais, pagamentos, contratos e registros digitais estejam alinhados.

A duplicata escritural representa uma nova etapa na digitalização do crédito brasileiro e pode ampliar a concorrência entre financiadores, tornando o mercado mais transparente e acessível para empresas de diferentes portes.

Publicidade

Notícias relacionadas

BC regulamenta regras do CMN para limitar uso do FGC por bancos

O Banco Central publicou nesta sexta-feira (30) a regulamentação das novas regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no fim de abril para limitar o uso do Fundo Garantidor de Crédito

29 de Maio, 2026

Dinheiro de clientes do Master migrou para bancos maiores, informa BC

Os recursos ressarcidos a clientes do conglomerado Master foram destinados principalmente para bancos de maior porte após a liquidação extrajudicial das instituições do grupo, informou nesta segu

25 de Maio, 2026

BC reforça segurança em transferências eletrônicas para exterior

A partir de outubro, o serviço de pagamento ou transferência eletrônica internacional (eFX) obedecerá a novas regras de segurança e transparência

30 de Abril, 2026