São Paulo, 15 de Outubro de 2026
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Livro afrofuturista destaca protagonismo negro na literatura

Onze contos de personagens negros em tramas que combinam passado ancestral, presente e futuro, revelando as potências e os desafios do povo preto em diferentes dimensões do tempo e da sociedade. Assim é o livro A Outra Face, contos afro-fantásticos,

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Rádio Agência Nacional

Livro afrofuturista destaca protagonismo negro na literatura
Créditos: Rádio Agência Nacional

Onze contos de personagens negros em tramas que combinam passado ancestral, presente e futuro, revelando as potências e os desafios do povo preto em diferentes dimensões do tempo e da sociedade. Assim é o livro A Outra Face, contos afro-fantásticos, recém-lançado pelo escritor e jornalista Sandra Menezes, finalista do Prêmio Jabuti em 2022, com seu romance de estreia, O Céu Entre Mundos, vencedor do Prêmio Odeisseia de Literatura Fantástica no mesmo ano.

A nova obra, que reúne contos escritos desde 2017, transita pelos subgêneros da ficção especulativa negra, como realismo fantástico, a ficção científica e a fantasia, dentro da literatura afrofuturista. A autora explica o que significa o termo.

Ele é um movimento artístico, cultural, político que se manifesta em diferentes áreas. O caso do afrofuturismo brasileiro na área de literatura, existe uma meta de que a gente trabalhe as nossas histórias de ficção especulativa, incluindo elementos do nosso país, elementos fantásticos, e essa manifestação, ela pode aparecer nos subgêneros da ficção especulativa, como ficção científica, realismo fantástico, cyberpunk.

Sandra Menezes dá ainda mais detalhes sobre como os personagens negros são representados no afrofuturismo.

O que a gente faz com as nossas histórias afrofuturistas é diluir a imagem da pessoa negra de subalternidade, como ela costuma ser representada há muito tempo nas histórias de ficção ou de resgate histórico. O que a gente faz é trazer protagonistas potentes, donos de suas próprias histórias, com referências negras, com referências da nossa ancestralidade.

A escritora também destaca características de suas histórias, como suspense e a veia investigativa. Por isso, justifica, não pode dar muito spoiler sobre elas, mas resume alguns dos contos presentes em A Outra Face.

No conto Horror na Serra Fluminense, como o racismo recreativo pode transformar uma viagem para fugir da rotina de trabalho numa experiência assustadora. Em O Giro de Adiza, que é um conto que se passa no século XVII, na África subsaariana, uma mulher recebe dos orixás um dom especial, atravessa a morte e volta à vida pronta para enfrentar um grande desafio.

Sobre a presença negra no mercado editorial brasileiro, a autora avalia que está avançando, sendo que ainda há espaço para muito mais.

Eu acho que esse crescimento está acontecendo, acho que já melhorou bastante, mas eu acho que ainda faltam muitos olhares de escritores negros no mercado. Acho também que a gente deve ocupar espaço e nos colocar em todos os gêneros de expressão artística, todos os gêneros literários.

A carioca Sandra Menezes construiu uma carreira criativa, tanto na literatura quanto na ficção científica. Entre 2018 e 2023, publicou contos e crônicas em diversas antologias nacionais, mas é na literatura e na ficção científica que ela dá asas à sua criatividade. A Outra Face, contos afro-fantásticos, publicado pela Editora Malê, é um exemplo disso.

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